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A República Argelina Democrática e Popular será a décima delegação a entrar no Estádio Olímpico de Tóquio durante a Cerimônia de Abertura dos Jogos da XXXII Olimpíada, em 23 de julho. Localizado ao norte da África, o país é o maior do continente em termos de extensão, abrigando uma área total de 2.381.741km². Sua população de cerca de 43 milhões de habitantes é composta majoritariamente por descendentes berberes e franceses.


Hoje uma nação unificada, a Argélia conheceu várias dinastias e impérios ao longo de sua história. Na Antiguidade, o território era conhecido como Reino da Numídia. Os berberes eram o principal povo da região e, em 46 d.C, Julio Cesar anexou a região à República Romana, passando posteriormente ao Império Romano. Após anos de domínio europeu, os exércitos árabes conquistaram o território no século VII (jogada que foi o ponto de partida para a conquista da Península Ibérica mais tarde). 


Entre 1516 e 1830, os argelinos passaram a fazer parte do Império Otomano. Em 1827, após um episódio envolvendo o não pagamento de uma dívida à França, o país europeu foi "forçado" a invadir o território africano, iniciando a conquista da região. De 1830 até 1870, o país europeu "pacificou" a Argélia, que passou a ser considerada "Departamento da França", ou seja, integrante do território francês e não vista como uma colônia. Berberes e franceses estiveram presentes, juntos, nas duas Guerras Mundiais. 


A luta pela independência da Argélia foi oficialmente iniciada durante a década de 1950. O marco dessa disputa é considerado o ano de 1954, quando a Frente Nacional de Libertação (FLN), o principal partido político do país, foi criado. Apesar de só ter tido sua independência reconhecida em 1962, o Movimento de 1954 foi de tamanha importância que a data de 1º de novembro (quando ele ocorreu) é um feriado nacional na Argélia, em homenagem à luta dos percussores. 


Os africanos chegaram a declarar independência em 1954, mas os franceses não aceitaram. A Guerra de Independência que se sucedeu durou até 1962 e culminou na morte de mais de 300 mil mortos. Durante o conflito, cerca de três milhões de argelinos migraram para a França com status de refugiados. Tal situação culminou numa situação que permanece até os dias atuais no país europeu. Cerca de 10% da população francesa é composta por pessoas do norte da África, a maioria de origem argelina. 





Jogos Olímpicos

A Argélia competiu pela primeira vez nos Jogos Olímpicos em Tóquio-1964, dois anos depois de conquistar sua independência. Mohamed Lazhari foi o único representante do país nesta edição, encerrando o individual geral da ginástica artística na 91ª colocação.


É preciso destacar que, antes de participar com uma delegação própria, entre 1900 e 1960, atletas argelinos competiram sob bandeira francesa. Diversos esportistas nascidos no país conquistaram medalhas de ouro representando a "metrópole", incluindo os maratonistas Ahmed Bougèra El Ouafi (1928) e Alain Mimoun (1956).


Nascido na Argélia, Ahmed Bougèra El Ouafi venceu a maratona de Amsterdã-1928
 competindo pela França


Depois de Tóquio-1964, a Argélia só não esteve presente nos Jogos de Montreal, em 1976, fazendo parte do boicote africano em protesto à participação de países que competiram na África do Sul em meio ao apartheid. Nas 13 edições olímpicas em que esteve presente, o país conquistou 17 medalhas, sendo cinco de ouro, quatro de prata e oito de bronze. Tais pódios foram obtidos por apenas três modalidades: atletismo, boxe e judô. Sua maior delegação olímpica foi em 2016, com 64 atletas.


A primeira medalha só surgiu em Los Angeles-1984, 20 anos após a primeira aparição olímpica. E a espera pelo primeiro pódio foi tamanha que vieram dois de uma vez. No 12º dia dos Jogos nos EUA, em 09 de agosto de 1984, os boxeadores Mustapha Moussa e Mohamed Zaoui conquistaram bronzes nas respectivas categorias peso-pesado e peso médio.


O país conquistou sua primeira medalha de ouro em Barcelona-1992, com Hassiba Boulmerka - faturando também o primeiro pódio feminino da nação - nos 1.500m rasos do atletismo. Na mesma edição, Hocine Soltani conquistou mais um bronze para o boxe argelino. Quatro anos mais tarde, Soltani seria o responsável pela conquista de mais um ouro olímpico para a Argélia, o primeiro (e único) do boxe.


 + Atletismo

As provas de meio-fundo são a especialidade dos atletas argelinos. Todos os quatro ouros do atletismo foram obtidos na prova dos 1.500m, por dois homens e duas mulheres. Além de Boulmerka em Barcelona-1992, também triunfaram Noureddine Morceli em Atlanta-1996, Nouria Merah-Benida, em Sydney-2000, e Taoufik Makhloufi, em Londres-2012.


Taoufik Makhloufi é dono de três medalhas olímpicas (Reprodução)


Taoufik Makhloufi é, talvez, o principal atleta olímpico argelino da história
. Ele é o único esportista de seu país a conquistar três medalhas em Jogos Olímpicos. Além do ouro em Londres, ele conquistou duas pratas no Rio de Janeiro, uma nos 800m e outra nos 1.500m. Curiosamente, Makhloufi foi o responsável pela conquista de 100% das medalhas da Argélia em Londres e no Rio.


Boxe

O boxe é o segundo esporte que mais deu medalhas olímpicas para a Argélia, atrás apenas do atletismo. Apesar disso, o país passa por uma crise na modalidade neste século, já que o último pódio foi obtido em Sydney-2000, com o bronze de Mohamed-Allalou. Nas últimas quatro edições, oito atletas argelinos bateram na trave e caíram nas quartas de final. 


Para Tóquio, um terço da delegação argelina já classificada para os Jogos é composta por boxeadores. Até o momento, o país possui 21 atletas garantidos, sendo que sete deles vêm do boxe.


+ Judô

Considerada uma das potências do judô no continente africano, a Argélia já conquistou duas medalhas olímpicas na modalidade em sua história, ambas em Pequim-2008. Foi um bronze com Soraya Haddad, na categoria feminina até 52kg, e uma prata com Amar Benikhlef, entre os médios masculinos. O país levou cinco judocas ao Rio, em 2016, e quatro deles chegaram até as oitavas de final.


Amar Benikhlef (branco) conquistou a segunda medalha olímpica do judô argelino (Xinhua)


Apesar do bom retrospecto histórico recente, hoje o país possui somente um atleta garantido em Tóquio: Fethi Nourine (73kg), 35º colocado do ranking mundial, hoje garantido pela cota continental. Benamadi Abderrahmane (90kg), Amina Belkadi (63kg), Asselah Sonia (+78kg) e Kaouthar Ouallal (-78kg) estão próximas da vaga, ranqueados em 33º, 31º, 29º e 31º, respectivamente.


+ Futebol

Assim como na maioria dos países africanos, o futebol é o esporte mais popular da Argélia. Apesar de ser o atual campeão da Copa Africana de Nações com a equipe principal, o país não conseguiu classificação para o torneio continental na categoria sub-23, que serviu de classificatório para os Jogos de Tóquio. Assim, ficou de fora da Olimpíada depois de ter ido ao Rio de Janeiro - foi eliminado na primeira fase. 


Em Copas do Mundo, a seleção nacional também esteve no Brasil em 2014, sendo eliminado pela futura campeã Alemanha nas oitavas de final. A seleção argelina, aliás, deu mais trabalho aos germânicos que a própria equipe brasileira (perdedora de 7 a 1 nas semifinais), só perdendo na prorrogação. Atualmente, o capitão da equipe principal é Ryad Mahrez, atacante do Manchester City, visto como um dos principais jogadores do planeta. 


Destaques

Taoufik Makhloufi (atletismo): único argelino a conquistar três medalhas olímpicas, Taoufik Makhloufi tem a chance de fazer ainda mais história em Tóquio. E sua grande prova é os 1.500m rasos. Ele é o atual vice-campeão mundial e busca subir ao pódio olímpico na distância pela terceira vez, após um ouro em 2012 e uma prata em 2016.


Benamadi Abderrahmane (judô): um dos maiores nomes do judô nacional, Abderrahmane foi vice-campeão mundial em 2005, quando tinha 20 anos. Ainda não classificado aos Jogos de Tóquio, ele busca estar presente em sua segunda edição olímpica - foi eliminado nas oitavas na Rio-2016. Na última edição do Mundial, em 2019, ele foi eliminado na segunda rodada. Em dezembro do ano passado, foi prata no Campeonato Africano. Integrante da categoria até 90kg, ele está disputando a única vaga continental destinada a seu país com Fethi Nourine, da categoria até 73kg. No ranking absoluto, Nourine tem 1.876 pontos, enquanto Abderrahmane tem 1.856.


Benamadi Abderrahmane foi campeão mundial em 2005, quando tinha 20 anos de idade (Mayorova Marina/IJF)


Abdelmali Lahoulou (atletismo): semi-finalista na Rio-2016, o barreirista amadureceu no ciclo olímpico e está pronto para brigar por uma final olímpica. Atualmente com 28 anos, ele teve um ano de 2019 mágico, sendo finalista mundial nos 400m com barreiras, medalhista de prata nos Jogos Mundiais Militares e campeão africano. 



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