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Introdução histórica


Os Emirados Árabes Unidos são o oitavo país da Parada das Nações do Surto Olímpico. Localizado ao leste da Península Arábica, a nação surgiu da junção de sete emirados, tendo Abu Dhabi como o maior e a capital. Os outros seis são: Sharjah, Ajman, Umm Al Quwain, Fujairah, Dubai e Ras Al Khaimah. Esse último implementado meses depois da fundação dos emirados, em 2 de dezembro de 1971. O território do país dos xeiques é composto em sua maioria por um deserto plano e bastante arenoso.

Por ser controlada por sete famílias e o poder ser dominado por elas, oficialmente os Emirados são uma monarquia absoluta, mas com alguns traços inusitados, o que faz a nação ter uma política bem única no mundo. É que os emires dos sete estados (emirados) têm poder absoluto em cada um deles, mostrando características do federalismo, bem parecido com o poder que os governadores têm nos estados em nosso país.



Cerimônia de hasteamento da bandeira dos Emirados Árabes Unidos, em 1971 - Foto: Arquivo

Retornando à história de construção do país, foram as tribos e reinos os primeiros a viverem e disputarem espaço onde hoje ficam os territórios da Arábia Saudita, Omã, Catar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. O período de tribos pelo gigante Deserto da Arábia teve impacto direto nas características esportivas das nações da região, incluindo os Emirados.

Do período Umm Al Nar - uma cultura das tribos da época que era destacada por túmulos circulares caracterizados por pedras bem encaixadas na parede externa e vários restos humanos dentro - os arqueólogos datam de 2.600 a 2.000 anos a.C. Logo depois, o período de Ferro é registrado de 1.200 a.C. até 300 a.C., de onde grandes sítios arqueológicos foram descobertos, como o de Saruq Al Hadid, localizado em Dubai.

Todas essas descobertas mostram que as Arábias têm uma história de mais de 3 mil anos de vida humana e que o comércio sempre foi berço dessa região do planeta. Dentre os itens encontrados, destaca-se as inúmeras cerâmicas e as joias de ouro, bronze e metal.



Sítio arqueológico Saruq Al Hadid - Foto: Jan Kurzawa


No século XVI, as pérolas que ditavam o comércio nas Arábias, já sob forte influência do governo português, que atracava dezenas de navios na costa do Golfo Pérsico. No século XIX foram os britânicos que chegaram com seus navios nesta região e por lá se abrigaram até a independência dos Emirados.

Aos poucos os xeques foram se unindo e controlando entre eles as ações dos emirados, principalmente quando petróleo foi achado pela primeira vez em Abu Dhabi, no começo da década de 30. Em 1968, o governo britânico determinou que não tinha como seguir o Tratado Trucial, onde defendia as fronteiras marítimas dos Emirados, Catar e Bahrein.

O xeique Zayed Bin Sultan Al Nahyan temia que o Golfo iria tornar-se um campo de guerra e tentou uma proposta para que os britânicos permanecessem. A proposta foi negada e Zayed viria a ser o primeiro presidente dos Emirados Árabes Unidos.

Com a retirada dos britânicos e o tratado terminando em 1º de dezembro de 1971, foi o momento dos emirados se unirem e formar os Emirados Árabes Unidos em 2 de dezembro de 1971.

História esportiva


Os Emirados Árabes Unidos tiveram seu Comitê Olímpico criado em 1979 e aceito pelo COI em 1980. A estreia da delegação emiradense foi em Los Angeles 1984, com sete atletas. Contando a estreia, os Emirados participaram de nove Jogos Olímpicos e se preparam para a décima participação na maior competição de esportes do planeta.




Mesmo participando desde 1984, só 20 anos depois conquistaram a primeira medalha da história, em 2004, no tiro esportivo. Um dos motivos da demora para sair a primeira medalha, é o país não ter grandes esportes olímpicos como destaques. O futebol é a paixão nacional e o único esporte olímpico entre os esportes mais apreciados no país árabe.

Os emiradenses participaram do torneio de futebol em Londres 2012, onde foram eliminados na primeira fase com derrotas para Uruguai e Grã-Bretanha, além do empate com Senegal. Em 2012 também foi a Olimpíada de recorde de atletas para os Emirados, com 24 homens e duas mulheres.

Dos esportes não olímpicos, o povo dos Emirados gosta demais do críquete e jiu-jitsu. O primeiro é agraciado por conta da influência de trabalhadores indianos nos Emirados, já o segundo tem o toque brasileiro após um xeque conhecer a modalidade na década de 90. Hoje, o jiu-jitsu brasileiro tem nos Emirados a capital global do esporte.



Além de xeque e empresário, Tariq Al-Qassimi fala português e é faixa preta no jiu-jitsu - Foto: Reprodução/Instagram

Se nas Olimpíadas o país não brilha tanto, nos Jogos Asiáticos eles têm evoluído bastante. O Emirados Árabes Unidos participaram de onze edições do Asian Games, desde 1978. A melhor participação foi em Jakarta 2018, quando encerraram a competição com um recorde de três ouros, seis pratas e cinco bronzes.

Para se ter uma ideia, até a edição de 2018, os emiradenses só haviam conquistado um ouro, cinco pratas e sete bronzes. O brilho na edição tem muita ligação com o jiu-jitsu ter estreado como esporte nos Jogos Asiáticos de 2018. Das 14 medalhas dos Emirados, nove foram nesse esporte.

Saindo um pouco dos esportes tradicionais, a falcoaria, corrida de cavalos e corrida de camelos se destacam. A falcoaria é uma grande influência da época em que o país ainda não existia oficialmente, onde os nativos - os beduínos - viviam numa guerra pela sobrevivência no deserto. Os falcões eram caçados para alimentação e, em outro momento, também foram usados para caçar, principalmente durante o inverno. Hoje a ave é símbolo nacional e está estampada na moeda do país e até em placas de trânsito.



Corrida de camelos na periferia de Abu Dhabi - Foto: Karim Sahib/AFP

Em um país que esbanja dinheiro, os esportes também têm forte ligação financeira. As corridas de camelos e cavalos, por exemplo, movimentam milhões de dólares pelos países árabes. Um camelo custa em média R$ 7.350,00 para ser preparado para uma corrida. A alimentação de um animal de corrida é extremamente regrada, com uma dieta a base de ovos, tâmaras e mel. As corridas de camelos são uma tradição do mundo árabe e assim como a falcoaria, também têm ligação com a origem do país, um povo apaixonado pelo animal e pelos seus desertos arenosos.

Voltando para os Jogos Olímpicos, o xeque Ahmed Al Maktoum é o único campeão olímpico dos Emirados Árabes Unidos, com o ouro em Atenas 2004, na prova de Fossa Olímpica Double do tiro esportivo. Doze anos depois, na Rio 2016, o moldavo naturalizado emiradense Sergiu Toma foi bronze na categoria até 81kg do judô.

É bom lembrar que, até o momento, nenhum atleta dos Emirados Árabes Unidos conquistou classificação para Tóquio. Porém, a classificação olímpica do judô e tiro esportivo ainda não foram finalizadas - esportes no qual o país deve obter classificação.

Principais esportes


+ Tiro esportivo

O tiro é sem dúvidas o esporte mais consistente da nação do Oriente Médio quando se trata de Jogos Olímpicos. A afirmação não é só por conta do ouro olímpico de Ahmed Al Maktoum, mas por sempre classificar atletas para os Jogos e com resultados satisfatórios.



Ahmed também levou o britânico Peter Wilson ao ouro em Londres 2012 como treinador - Foto: Sports360

Na Rio 2016, os EAU classificaram três atletas do tiro esportivo, dentre eles o xeque Saeed Al Maktoum - recordista de participações pelos Emirados, com cinco Olimpíadas. A melhor posição ficou com Khaled Al-Kaabi, terminando em 9º lugar na Fossa Olímpica Double. Em 2017, ele foi prata no Campeonato Asiático e tem grandes chances de conquistar a vaga para Tóquio 2020

O tiro tem muita ligação com a família real no Oriente Médio. As tribos sempre usaram a boa mira como uma forma de se alimentarem. O respeito ao tiro continuou entre as gerações, mesmo com proibições de caça no país. A tradição é hereditária e não a toa os dois maiores atletas da história do tiro esportivo do EAU são xeques da família real.

+ Judô


A força do judô emiradense tem um sotaque diferente. Os três principais atletas da modalidade são nascidos fora dos Emirados Árabes Unidos, prática comum de um país cheio de pessoas com nacionalidades diferentes. Sergiu Toma (-90kg), Ivan Remarenco (-100kg) e Victor Scvortov (-73kg) são moldavos que representam os Emirados.


Toma após conquistar o bronze no Rio - Foto: REUTERS

Apesar de ser medalhista olímpico no Rio, Toma deve ficar de fora dos Jogos Olímpicos em Tóquio. Quem tem mais chances é Scvortov, medalhista de bronze no Mundial de 2014 e que também participou da Rio 2016. No momento, ele se encontra na zona de classificação olímpica, em 21º. Já Ivan Remarenco também teria vaga assegurada caso o ranking fechasse neste momento, entrando com a cota continental.

Atletas destaques


Saeed Al Maktoum (tiro esportivo): Saeed é membro da família real dos Emirados e vem em busca de sua sexta participação olímpica no skeet. Em Sidney 2000 o atleta terminou com a 9ª posição a sua melhor participação em Olimpíadas. Ele já foi campeão da final da Copa do Mundo de Tiro Esportivo em 2011 e do Campeonato Asiático em 2006. Sua última medalha importante foi em 2018, quando foi bronze no Campeonato Asiático. Aos 44 anos ele ocupa a 26ª posição do ranking mundial do skeet e não tem vaga em Tóquio. Caso não consiga, é bem provável que possa participar dos Jogos através de vaga por convite.



Scvortov no Mundial de 2014, quando saiu com o bronze - Foto: Divulgação/IJF

Victor Scvortov (judô): Bronze no Mundial de 2014, Scvortov não foi bem na Rio 2016. Com um 2020 atípico, o melhor resultado do Victor foi uma prata no Grand Prix de Montreal e um quinto lugar no Masters de Qingdao, ainda em 2019. Hoje ele é o número 21 do mundo e está dentro da zona de classificação para as Olimpíadas de Tóquio.



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