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INTRODUÇÃO


Uma das nações mais tradicionais da história olímpica, a Itália está entre os países mais populosos da Europa, com mais de 60 milhões de habitantes. Localizada às margens do Mar Mediterrâneo, a "Terra da Bota" é um polo turístico global, recebendo visitantes de todo o mundo que buscam conhecer suas belas paisagens naturais, suas ruinas históricas, sua deliciosa gastronomia e sua rica cultura.

Além de um destino dos sonhos, a Itália também é uma grande potência econômica. Segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional, o país é a oitava maior economia do mundo, com um PIB anual de mais de 2 trilhões de dólares. Outro indicativo forte do país é o Índice de Desenvolvimento Humano, considerado muito alto (0,892).

Apesar da bandeira verde, branca e vermelha ser uma das mais conhecidas do mundo, os uniformes dos atletas italianos costumam apresentar detalhes em azul. A cor está ligada à bandeira da casa real de Sabóia, que pertencia ao Rei Victor Emmanuel 3º no início do Século XX. A seleção italiana de futebol utilizou a cor pela primeira vez em 1922. Anos depois, em 1934, a equipe foi campeã da Copa do Mundo, e o azul passou a ser a marca registrada do esporte italiano desde então.

Com uniformes azuis, italianos Zaytsev e Giannelli comemoram ponto no vôlei masculino da Rio 2016 (Foto: Yves Herman/REUTERS)

HISTÓRIA


Há mais de 2.500 anos, povos conhecidos genericamente como etruscos começaram a construir uma civilização no centro-oeste da Itália. Mais tarde, os romanos dominaram os etruscos e controlaram a Península Itálica. A partir daí, Roma se tornou a nação mais poderosa do mundo - em 117 d.C., o Império Romano se estendia desde a ilha da Bretanha até o norte da África e o Oriente Médio.

Ciclistas do Giro D'Italia de 2018 passam em frente ao Coliseu, palco das lutas de gladiadores no período do Império Romano (Foto: Reprodução)

Séculos mais tarde, grupos de povos de diversas regiões da Europa invadiram o Império Romano, que passava por uma profunda crise e havia sido dividido em duas partes. Em 476 d.C., o Império Romano do Ocidente caiu, e a região foi dividida em diversos pequenos reinos.

Durante esse período, algumas cidades do norte da Itália, como Florença, Veneza e Milão, se transformaram em países pequenos, mas poderosos, chamados cidades-estados. À medida que as cidades-estados enriqueciam com o comércio, tornavam-se centros de música, arte e literatura. Esse crescente interesse pelas artes é conhecido como Renascimento, que transformou a Itália no centro cultural do mundo ocidental do século XIV ao XVI.

No século XIX, movimentos revolucionários atuaram na unificação dos diferentes reinos que formavam a Península Itálica. Em 1861, a maior parte da Itália estava unificada sob o governo de Vítor Emanuel II, que se tornou rei. O papa ainda controlava Roma, mas em 1870 tropas italianas invadiram a cidade e assumiram seu controle. Em contrapartida, décadas depois, a Igreja recebeu o controle do Vaticano, cidade-estado encravada no centro de Roma.

Mapa mostra os diferentes reinos e cidades-estados que se unificaram para a formação da Itália

Já no formato que se conhece hoje, a Itália se uniu aos Aliados — Rússia, França e Grã-Bretanha — durante a Primeira Guerra Mundial (1914–18). Após a guerra, o ditador Benito Mussolini e o partido fascista se aproveitaram de um momento de crise do país e logo tomaram o poder. Sob o comando do "Duce", a Itália fez aliança com a Adolf Hitler em 1936 e lutou ao lado da Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial. Quando os Aliados invadiram a Itália, em 1943, Mussolini fugiu. Posteriormente, a Itália se rendeu.

Depois da guerra, em 1946, o povo italiano votou a favor de implantar a república no país. A proclamação ocorreu no dia 2 de junho do mesmo ano. Desde então, o país se manteve como uma república parlamentarista. A Itália também participou da fundação da Comunidade Econômica Europeia, que se tornou a União Europeia em 1993.

TRAJETÓRIA OLÍMPICA


A Itália foi um dos países pioneiros na história olímpica, tendo participado da primeira edição dos Jogos da Era Moderna, em Atenas 1986. Na ocasião, o atirador Giuseppe Rivabella competiu no rifle militar de 200m e foi o único atleta do país na Grécia.

Quatro anos depois, a participação italiana foi mais intensa, com 23 esportistas participando do evento em Paris. Com uma equipe maior, a Itália conseguiu nessa edição olímpica suas primeiras medalhas: três ouros e duas pratas. O destaque ficou por conta do ciclismo e da esgrima, modalidades que o país mantém uma forte tradição que perdura até os dias atuais.

Os Jogos de Paris também foram históricos para o país em outro quesito. Montada no cavalo Libertin, a amazona Elvira Guerra se tornou a primeira mulher italiana a competir nas Olimpíadas. Nascida em São Petersburgo, na Rússia, Guerra fazia parte de um circo italiano que rodava todo o continente europeu. Dez anos antes dos Jogos, ela abriu o Hipódromo de Bordeaux, na França. Depois de sua morte, em 1937, uma rua na cidade francesa foi batizada em sua homenagem.

Mesmo marcando presença nas primeiras edições, o Comitê Olímpico Italiano só foi criado em 1908 e, posteriormente, reconhecido em 1915. Depois da Primeira Guerra Mundial, a Itália obteve sua primeira grande participação em Olimpíadas, com 174 atletas conquistando 13 ouros na Antuérpia, Bélgica, em 1920.

Comandada por Nedo Nadi, equipe de esgrima da Itália brilhou e conquistou cinco ouros nos Jogos da Antuérpia em 1920 (Foto: Arquivo/Comitê Olímpico Internacional)

Quarenta anos depois, em 1960, a Itália repetiu a marca de 13 medalhas de ouro quando competiu em casa pela primeira vez. Em Roma, o país bateu seu recorde de maior delegação até então - 280 atletas - e de maior número total de medalhas - 36, mesmo número de Los Angeles 1932. No mesmo ano, a capital italiana recebeu a primeira edição dos Jogos Paralímpicos.

Desde então, o país se consolidou como uma das potências do esporte olímpico. Em Los Angeles 1984, a Itália conseguiu seu recorde histórico de ouros: 14. Já em Atenas 2004, 364 atletas italianos participaram das disputas olímpicas, o maior número já alcançado pela nação até hoje.


Na última edição olímpica, no Rio de Janeiro em 2016, a Itália contou com 314 esportistas. Os atletas do país conquistaram 8 medalhas de ouro, 12 de prata e 8 de bronze. O maior destaque italiano veio no tiro esportivo, de onde saíram 4 ouros e 3 pratas. Para os Jogos Olímpicos de Tóquio, 197 italianos já se garantiram oficialmente, em 20 esportes distintos.

Já nos Jogos de Inverno, a Itália já conquistou 124 medalhas, sendo 40 delas de ouro. O esqui alpino e o esqui cross-country são as modalidades em que o país historicamente tem mais destaque na competição. Localizadas na região alpina da Itália, as cidades de Cortina D’Ampezzo e Turim receberam as Olimpíadas de Inverno em 1956 e 2006, respectivamente. Além disso, o evento de 2026 será realizado de forma compartilhada entre Milão e Cortina D’Ampezzo.

ESPORTES DESTAQUES


+ Esgrima


A esgrima é a modalidade de maior destaque do esporte olímpico italiano. Ao todo, o país já conquistou incríveis 125 medalhas na modalidade, sendo 49 ouros. Essa marca coloca a Itália como a maior potência da história olímpica desse esporte, com 7 ouros a mais que a França.

Ao longo do tempo, muitos atletas italianos brilharam na esgrima em Jogos Olímpicos. O primeiro campeão do país foi Antônio Conte, que venceu a prova de sabre masters em Paris 1900. Depois de Conte, o esgrimista Nedo Nadi despontou como um dos maiores nomes da história do esporte italiano, tendo conquistado cinco ouros nos Jogos da Antuérpia em 1920. Ele também havia vencido o florete em Estocolmo 1912.

Outros dois esgrimistas do país também conseguiram conquistar seis ouros olímpicos, que é o maior número de vitórias de atletas italianos. Depois de Nadi, Edoardo Mangiarotti dominou as provas de espada entre os Jogos de Berlim 1936 e de Roma 1960. Além dos seis ouros, Mangiarotti conquistou mais cinco pratas e dois bronzes, totalizando 13 medalhas, o maior número de um atleta italiano na história.

Valentina Vezzali foi outra italiana a dominar o cenário na esgrima. Em sua estreia olímpica, em Atlanta 1996, Vezzali venceu a prova de floretes por equipes e foi prata na disputa individual. Desde então, medalhou em todas as suas participações olímpicas, com vitórias individuais em Sidney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008 e por equipes em Sidney 2000 e Londres 2012. Ela também tem 16 títulos mundiais e 13 europeus no currículo.

Vezzali é a mulher mais vitoriosa do esporte olímpico italiano, tendo conquistado seis ouros e nove medalhas no total (Foto: Reprodução/NBC)

+ Ciclismo


Se a esgrima é a modalidade de maior destaque da Itália, o ciclismo vem logo atrás como segundo maior provedor de medalhas para o país. Atletas italianos conquistaram 33 ouros na modalidade e 59 medalhas no total, o que coloca o país da Bota como segunda maior potência histórica do ciclismo, atrás apenas da França e uma medalha à frente da Grã-Bretanha, nova potência do esporte.

Um dos eventos de maior tradição da Itália é a prova de estrada individual masculina. O país venceu a disputa em seis oportunidades, com seis esportistas diferentes - a última em 2004, com Paolo Bettini. Já entre as mulheres, Paola Pezzo foi bicampeã no ciclismo mountain bike entre 1996 e 2000. Outro destaque feminino é Antônia Belutti, que conquistou dois ouros no ciclismo pista no mesmo período.

+ Tiro esportivo


O tiro esportivo é a modalidade em que a Itália mais cresceu na história recente. O primeiro ouro do país no esporte veio em 1932, com Renzo Morigi. Desde então, os atiradores italianos ganharam medalhas com certa frequência, mas sem dominar o quadro de medalhas da modalidade. Porém, nas duas últimas edições olímpicas, um salto. Primeiro, em Londres 2012, a Itália conquistou dois ouros e três pratas.

Na edição seguinte, a Rio 2016, uma participação histórica. A Itália levou para casa quatro medalhas douradas do tiro esportivo; duas delas, com o mesmo atleta: Niccola Campriani venceu a carabina de 50m três posições e a carabina de ar de 10 metros. Além dele, Gabrielle Rossetti levou a disputa do skeet masculino e Diana Bacosi, o skeet feminino. Rossetti e Bacosi estão garantidos nos Jogos de Tóquio, enquanto Campriani se tornou o técnico da equipe italiana de biatlo.

+ Futebol


Tetracampeã da Copa do Mundo masculina, a Itália venceu os Jogos Olímpicos uma única vez, nos Jogos de Berlim em 1936. Além desse ouro, a Azzurra também é detentora de dois bronzes no futebol - o último deles, em 2004, com uma seleção que contava com Andrea Barzagli, Daniele de Rossi, Andre Pirlo e Alberto Gilardino, nomes que seriam campeões do mundo dois anos depois, em 2006. Apesar da tradição entre os homens, a seleção feminina da Itália nunca disputou uma edição olímpica.

Seleção Italiana comemora bronze em Atenas 2004; alguns jogadores viriam a vencer a Copa do Mundo dois anos depois (Foto: Reprodução)

DESTAQUES INDIVIDUAIS


Federica Pellegrini (Natação): Federica Pellegrini é a maior vencedora da história da natação italiana. Especialista nas provas de 200m e 400m metros, a atleta tem seis ouros em Mundiais. Em Jogos Olímpicos, Federica foi medalhista de prata nos 200m logo em sua primeira participação. Na edição seguinte, em Pequim, conseguiu a vitória na mesma prova e se tornou a primeira nadadora italiana a ser campeã olímpica. Por sua importância para o esporte italiano, Pellegrini foi a porta-bandeira do país na Cerimônia de Abertura da Rio 2016. Aos 32 anos, ela venceu os 200m livre na seletiva italiana e disputará as Olimpíadas pela 5ª vez em Tóquio.

Diana Bacosi (Tiro Esportivo): Hoje com 37 anos, Diana Bacosi foi a única mulher italiana campeã olímpica na Rio 2016. Ela venceu a disputa de skeet feminino, prova em que foi campeã mundial em 2019. Bacosi está garantida nos Jogos de Tóquio e é uma das favoritas ao ouro.

Diana Bacosi foi campeã olímpica do skeet feminino na Rio 2016 e estará em Tóquio (Foto: AFP Press)


Daniele Garozzo (Esgrima): A esgrima é o carro-chefe da Itália nos Jogos Olímpicos. Porém, na Rio 2016, o título de Daniele Garozzo foi considerado surpreendente. Garozzo não estava entre os francos favoritos no florete masculino, mas eliminou em sua campanha o egípcio medalhista de prata em Londres 2012, Alaaeldin Abouelkassem, o brasileiro Guilherme Toldo e o líder do ranking mundial, o americano Alexander Massialas. Classificado para Tóquio 2020, Garozzo terá a companhia de Alessio Facone e Andrea Cassara na equipe italiana, favorita ao ouro no florete.

Paola Egonu (Vôlei): Para muitos, Egonu é a melhor jogadora de vôlei da atualidade. Dona de um braço potente e com um repertório técnico em franca evolução, a jogadora de 20 anos tem sido imparável nas últimas temporadas. A presença de Egonu eleva a seleção feminina italiana a outro patamar de favoritismo em Tóquio 2020.

Paola Egonu promete comandar a Itália ao topo nos Jogos de Tóquio (Foto: Reprodução/FIVB)

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