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Introdução histórica


A República de Uganda será a 27ª delegação a entrar no Estádio Nacional de Tóquio em 23 de julho de 2021, durante a cerimônia de abertura dos Jogos da XXXII Olimpíada. Localizada na região central da África, o país é um dos menos desenvolvidos do mundo. Sua população total de cerca de 44 milhões, formada por diversos povos, tem um histórico recente de dor e sofrimento, vítima das duras ditaduras instauradas no país durante boa parte do século XX.


O território de 241 mil quilômetros quadrados que hoje forma a Uganda começou a ser povoada há cerca de dois mil anos. Durante todos esses anos, a região viu a formação de diversos reinos, sendo o mais popular deles o de Buganda, que mais tarde originou o nome do país (Uganda). A partir de 1890, a área foi ocupada pelo Reino Unido através da Companhia Imperial Britânica da África Oriental e permaneceu como colônia nas seis primeiras décadas do século seguinte.


Após anos de domínio, Uganda recebeu relativa autonomia dos britânicos em 1949, consequência de alguns levantes tribais. Mas sua independência só veio a ser conquistada em 09 de outubro de 1962, com Milton Obote tornando-se o primeiro grande líder do país. Ele permaneceu no comando até 1971, quando o ex-sargento do Exército Britãnico Idi Amin Dada deu um golpe e assumiu o poder. Além de militar, Dada também teve uma curta e vitoriosa carreira esportiva no boxe, sendo campeão nacional no peso-pesado por nove vezes entre 1951 e 1960


Durante seu governo ditatorial, que durou de 1971 a 1979, Uganda viveu o período mais violento de sua história. Dada perseguiu e matou centenas de milhares de opositores, através da criação de uma criminosa polícia política que, por não possuis restrições legais, aterrorizou o país. A seu mando, estima-se que mais de 300 mil pessoas tenham sido assassinadas. Sua personalidade também revelava traços macabros, segundo relatos da oposição: ele sentia prazer em estuprar mulheres e praticava o canibalismo


Idi Amin Dada, considerado o governante mais "louco" da África (Reprodução)


Ainda que apoiasse os cristãos, que são maioria no território ugandense desde a colonização britânica, Idi Amin era favorável à causa árabe e defendia o direito palestino a um Estado nacional independente. Ele rompeu relações diplomáticas com Israel e aplaudiu o Massacre de 1972, quando terroristas do Setembro Negro atacaram a Vila dos Atletas dos Jogos Olímpicos de Munique e assassinaram onze israelenses, enviando um telegrama a Kurt Waldheim, secretário-geral da ONU na época, elogiando Adolf Hitler pelo Holocausto aos judeus. Você pode saber mais sobre o ocorrido a Parada das Nações de Israel, clicando aqui.


Amin foi deposto em 1979, após hostilizar Julius Nyerere, o presidente da Tanzânia, que tinha um poderoso exército. Ele foi obrigado a fugir de Campala, a capital de Uganda, e recebeu asilo em sucessivos países árabes, até morrer em 2003, na Árabia Saudita. Depois de seu governo, foram realizadas eleições, que levaram mais uma vez Obote ao poder. Cinco anos mais tarde, porém, num período de intensos conflitos, um novo golpe foi dado e um regime militar foi instaurado. Em 1986, Campala foi capturada pelo Exército de Resistência Nacional e colocou seu líder, Yoweri Museveni, na presidência do país, cargo que permanece até os dias atuais. Hoje, os direitos humanos são respeitados e há liberdade de imprensa no país.



Jogos Olímpicos


No total, em 15 aparições olímpicas, Uganda conquistou sete medalhas, sendo dois ouros, três pratas e dois bronzes. Mesmo ainda sendo colônia britânica, Uganda criou seu comitê olímpico nacional em 1950, um ano depois que ganhou relativa autonomia da metrópole. A entidade, porém, só veio a ser reconhecida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) em 1956. No mesmo ano, o país africano pôde participar de sua primeira Olimpíada. Três atletas ugandenses foram a Melbourne no final daquele ano, todos homens e do atletismo


Os melhores resultados foram obtidos por Patrick Etolu e Lawrence Ogwang, que chegaram até a final de suas provas. Etolu foi o sétimo melhor das eliminatórias no salto em altura, mas acabou na 12ª colocação. Já Ogwang terminou na 20ª posição do salto triplo (22 atletas passavam à final), em prova que foi vencida por Adhemar Ferreira da Silva. O velocista Benjamin Nguda também representou Uganda naquela edição, mas ficou de fora da semifinal nos 100m rasos com um tempo de 12s95. Ele também não avançou nos 200m rasos.


Quatro anos mais tarde, em Roma-1960, a delegação ugandense foi mais "gorda", com dez atletas, ainda todos homens. Além do atletismo, o boxe também foi representado pela primeira vez. Mais uma vez, porém, os africanos saíram sem medalha. Em Tóquio-1964, Uganda também não foi ao pódio, mas a edição foi histórica para o país porque pela primeira vez levou atletas mulheres às competições. As velocistas Irene Muyanga e Mary Musani foram eliminadas ainda nas eliminatórias das provas de 100m e 200m rasos e 80m com barreiras. O primeiro "quase" ugandense também foi conquistado na capital japonesa. Ernest Mabwa, no peso meio-médio do boxe, parou nas quartas de final e ficou a uma vitória da medalha.



Foi somente na Cidade do México-1968 que o boxe fez a alegria do povo ugandense, conquistando as duas primeiras medalhas da nação em sua história. Leo Rwabwogo foi bronze no peso-mosca, enquanto Eridadi Mukwanga ficou com a prata no peso meio-médio. No atletismo, o país também fez bonito ao chegar pela primeira vez na final de uma prova de pista, com Amos Omolo, nos 400m rasos.


Se a Cidade do México foi especial para Uganda, Munique-1972, foi ainda melhor. Já na era ditatorial de Idi Amin Dada, o país enviou 33 atletas para a cidade alemã, delegação que permanece como recorde até os dias atuais. O inflado número se deu muito por conta da primeira participação em uma modalidade além de atletismo e boxe: o hóquei sobre grama. Contando com 15 atletas, a seleção masculina conquistou apenas três empates e quatro derrotas na ocasião e figurou na última colocação do Grupo A.


Foi em Munique, também, que surgiu a primeira medalha dourada de Uganda, com John Akii-Bua, nos 400m com barreiras, com direito a quebra do recorde mundial na ocasião, com 47s82. Ele ainda se tornaria um dos maiores atletas do país, conquistando um dos primeiros ouros de Uganda nos Jogos Africanos, em 1973. Outro que se consagrou foi o boxeador Leo Rwabwogo, que conquistou sua segunda medalha olímpica no peso mosca. Depois do bronze no México, foi prata na Alemanha. É, até hoje, o único atleta do país a subir duas vezes no pódio das Olimpíadas.


Se unindo ao boicote das nações africanas, Uganda não participou da Olimpíada de Montreal-1976. Por outro lado, enviou um atleta à Paralimpíada daquele ano, sendo o único país do continente - além da África do Sul, que vivia o apartheid -, a ter um atleta no evento. Uganda retornou ao cenário olímpico em 1980 e conquistou mais uma prata no boxe, agora com John Mugabi no peso meio-médio. O país também participou de Los Angeles-1984, fazendo sua estreia no ciclismo de estrada, natação e levantamento de peso, mas também saiu zerado.


O mesmo filme se repetiu nas duas edições seguintes. Enviando 24 atletas a Seul-1988 e apenas 8 para Barcelona-1992, nenhuma medalha foi conquistada. Mary Musuoke representou o país em sua estreia no tênis de mesa em 1992 e figurou na delegação ugandense nas três Olimpíadas seguintes. Uganda voltou a ver uma medalha em Atlanta-1996, conquistando um bronze com Davis Kamoga nos 400m rasos. Depois, novo hiato, que só veio a ser interrompido em Londres-2012.


Stephen Kiprotich quebrou um jejum de 40 anos de Uganda sem ouros (Mark Blinch/REUTERS/VEJA)


Entre essa edições, destaque para a estreia no tiro com arco, com Margaret Tumusiime, em Sydney-2000, e no badminton, com Edwin Ekiring, em Pequim-2008. E, enfim, depois de exatos 40 anos, Uganda finalmente ouviu seu hino nacional em uma Olimpíada novamente, com Stephen Kiprotich, na maratona de Londres-2012. Pelo feito, o corredor é um dos maiores da história ugandense, tendo também conquistado o título mundial em 2013. 


Kiprotich ainda competiu na Rio-2016, mas ficou numa modesta 14ª colocação. Ele segue com a carreira até os dias atuais, mas não deve ir a Tóquio-2020, já que ainda não fez o índice olímpico. Além do maratonista, outros 20 atletas integraram a delegação ugandense na última edição olímpica, da qual o país saiu zerado. Além do atletismo, apenas o boxe e a natação viram representantes da nação. O melhor resultado foi obtido por Joshua Cheptegei nos 10.000m, um 6º lugar.


Para Tóquio-2020, Cheptegei é, aliás, uma das maiores esperanças de medalha olímpica de Uganda. Nos 10.000m, ele foi vice-campeão mundial em 2017 e campeão em 2019, sendo o recordista mundial na distância e nos 5.000m. Além dele, 19 atletas do país já estão garantidos em Tóquio (podem ser 22, já que três também já fizeram índice na maratona), incluindo Kathleen Grace Noble, que conquistou a primeira vaga do remo ugandense em Olimpíadas. Ela competirá no skiff simples feminino.



Atletismo

O atletismo é o principal esporte de Uganda, sendo o único a ter dado medalhas de ouro olímpicas ao país. John Akii-Bua, nos 400m rasos de Munique-1972, e Stephen Kiptrotich, na maratona de Londres-2012, foram os responsáveis pelas dois únicos pódios dourados do país africano. Além disso, um bronze com David Kamoga nos 400m rasos também foi obtido em Atlanta-1996.


Fora o histórico satisfatório, Uganda tem desenvolvido suas categorias de base e revelado promissores atletas nos últimos anos. Nas três Olimpíadas da Juventude já disputadas, o país conquistou um ouro, uma prata e três bronzes, sempre medalhando no atletismo em algum das edições. A responsável pela única medalha dourada é Sarah Chelangat, nos 3.000m rasos de Buenos Aires-2018. Hoje, ela tem 19 anos e já fez índice olímpico nos 5.000m e nos 10.000m


Joshua Cheptegei bateu o recorde mundial nos 5.000m na Diamond League de Mônaco, em sua primeira competição após seis meses(Matthias Hangst/REUTERS)


Além de Chelangat, Uganda possui outros 14 atletas garantidos em Tóquio-2020 no atletismo, o que representa quase 80% da delegação do país já classificada. O país chega com chances de medalha em pelo menos três provas, todas de meio-fundo e fundo: nos 5.000m e nos 10.000m masculino, em que Joshua Cheptegei é o recordista mundial, e os 800m feminino, com Halimah Nakaayi, que é atual campeã mundial. 


Boxe

O boxe é o esporte que mais deu medalhas a Uganda em Jogos Olímpicos. A modalidade foi a primeira em que um ugandense subiu no pódio olímpico. Além do fator internacional, o boxe atrai muito público nas competições nacionais no país africano. 


Apesar do bom histórico, Uganda não conquista uma medalha olímpica no boxe desde Moscou-1980, quando John Mugabi foi prata no peso meio-médio. A última vez que um pugilista ugandense venceu uma luta no torneio olímpico foi em Atenas-2004, quando Sam Rukundo parou nas quartas de final do peso leve. Em Pequim-2008 e em Rio-2016, os atletas não passaram da primeira rodada. Já em Londres-2012, o país não teve representantes na modalidade.


Buscando afastar os maus desempenhos recentes e relembrar as glórias do passado, Uganda terá três boxeadores em Tóquio-2020: Shadiri Bwogi (69kg), Kavuma David Ssemujju (75kg) e Catherine Nanziri (51kg). Bwogi venceu o Pré-Olímpico Africano, disputado ainda no começo do ano passado, enquanto Nanziri e Ssemujju herdaram vagas do ranking da BTF, após o cancelamento do Pré-Olímpico Mundial. 



Destaques


Joshua Cheptegei (atletismo): Aos 24 anos, Joshua Cheptegei é o maior nome do esporte ugandense da atualidade. Recordista mundial nos 5.000m e nos 10.000m, chega como um dos favoritos ao ouro nas duas provas em Tóquio-2020. Sua disputa preferida é os 10.000m, distância que foi vice-campeão mundial em 2017 e campeão mundial em 2019. Ele pode quebrar a sequência de títulos da lenda Mo Farah, que tenta conquistar o tricampeonato olímpico na prova.


Halimah Nakaayi (atletismo): Halimah Nakaayi é outra grande chance de medalha de Uganda nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Ela é a atual campeã mundial nos 800m rasos, tendo batido o recorde nacional na final, disputada em Doha, em 2019. Com 26 anos, ela está garantida para disputar sua segunda edição olímpica. Na Rio-2016, acabou eliminada nas semifinais. Além do título mundial, ela tem um bronze nos Jogos Africanos de 2019 e uma prata nos Jogos Islâmicos da Solidariedade de 2017.

 

Winnie Nanyondo (atletismo): Aos 27 anos, Winnie Nanyondo é outra ugandense credenciada a conquistar uma medalha nos 800m rasos em Tóquio-2020. Ela foi quarta colocada na distância no Mundial de 2019, ficando perto de fazer uma dobradinha com Nakaayi. Entre outros de seus grandes resultados, está o bronze nos Jogos da Commonwealth de 2014. Ela participou da Rio-2016, mas não passou das qualificatórias.

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